#teoria da (des)evolução#

Julho 29, 2017 § Deixe um comentário

A teoria da evolução, como o próprio nome indica, significa que as espécies se adaptam e evoluem de geração para geração.

Nos dias de hoje temos uma oportunidade para facilmente comprovar esta teoria. Ora, nem mais nem menos, que no adaptar das mentes e dos polegares das gerações de hoje ao feroz e dinâmico mercado de tecnologias disponíveis à distância de um clique ou se quiserem, um touch.

Já todos sentimos o forte apelo do cuscar da vida alheia, na aplicação milionária Facebook, em que já não passamos bem sem uns bons pares de minutos por dia, vasculhando, alheadamente, por histórias e mais histórias, bem como de novas publicações dos amigos dos amigos, os quais nem nunca conhecemos. Haverá dias, a sua maioria quiçá, em que os nossos “amigos” não terão sequer oportunidade de testemunhar a qualidade de um nosso comentário, ou a legitimidade de uma opinião ou mesmo de um forreta e frouxo like da nossa parte, visto que nesses dias o grande objetivo ou mesmo dizer o ouro da coisa, é mesmo a chamada coscuvilhice ou se quiserem um eufemismo, a nossa vã curiosidade.

No entanto, como já dizia o ditado, “A curiosidade matou o gato”. Ora, dissertando um pouco sobre esta pequena pérola cultural e evitando não dispersar demasiado os nossos leitores, qual o significado real desta expressão? Será que nos estamos a tornar num mundo repleto de curiosos? Será que a nossa vida se tornou tão vã e fútil, que sentimos necessidade de sermos incluídos nas vidas alheias? Ou por outro lado, consideramos que a nossa vida não é real se não for pública? É que se assim não for, elucidem-me, por favor, como se eu tivesse cinco anos, porque razão temos de publicar tudo o comemos, tudo o que fazemos, onde estamos, para onde vamos e o que pensamos. Tudo isto a juntar a selfies sem stick (sim, atenção, temo que hoje em dia quem não dispuser de tal apetrecho tecnológico pode-se desde já considerar um falhado) semi-nuas com expressões a roçar a pornografia, por parte de pessoas, que considerávamos no nosso cândido julgamento, normais.

É evidente que nada disto choca, nada disto faz espécie a uma sociedade já padronizada nestas andanças. A última pessoa sem Facebook que conheci depara-se agora com um cruel dilema entre a pressão desenfreada dos amigos on-line e o idílico horizonte do anonimato. Se é que podemos denominar de amizade, o rudimentar partilhar de um espaço durante um determinado intervalo de tempo, em que em detrimento de conversas e gargalhadas próprias de quem troca palavras de forma recíproca, de pessoa para pessoa, ou seja, o que denominamos de diálogo, se vislumbram uns pares de corpos arqueados e de cabeças tombadas, de olhos vidrados num qualquer aparelho luminoso a que chamam de smartphone e de polegares imparáveis, enviando mensagens continuamente não sabemos se uns aos outros, se a outros entes queridos do além que não poderiam estar presentes naquela silenciosa reunião.

Isto não teria importância nenhuma, se a tudo isto não inventássemos uma forma de para além das pessoas andarem de corpo arqueado, de cabeça tombada, polegares imparáveis, com estilo inconfundível de sonâmbulos, de, andarem ainda, deliberadamente, de mira apontada para seres imaginários, onde na realidade, está cocó de cão ou um caixote de lixo moribundo. O resultado é uma frustação compreensível pelos sapatos cagados e como se não bastasse, criaturas que fogem! Será isto uma eutanásia aos nossos sentidos? Será isto um erradicar do real e do físico em favor do virtual? O que virá a seguir? Vassouras mágicas para andarmos montados pelas ruas da cidade a caçar o Voldemort? Trelas para os pais preocupados que se veem coagidos a acompanhar os seus filhos jogadores? Ou em alternativa iremos iniciar um qualquer movimento revivalista e regressar ao tempo em que vivíamos cada momento como algo singular e irrepetivel, que partilhávamos apenas com aqueles que de facto contam, e que fazem, verdadeiramente, parte das nossas vidas? Vamos ser vintage e esperar com expectativa durante dias para apreciar meia dúzia de fotografias após mandar revelar o rolo da máquina a um fotógrafo local! Vamos voltar a escrever cartas e a lamber um selo de coleção aos nossos melhores amigos e a quem amamos, decerto surpreendendo quem está do outro lado! Sim, por que não desligar de vez em quando desta era digital e voltar ao tradicional, ao natural, ao autêntico?

No final, nada disto na verdade importa reflectir de forma séria e consciente, se no meu caso particular, a próxima ação que irei fazer no meu imediato a seguir a esta humilde crónica, é publicar o seguinte: Até já!
Em suma, agora não se esqueçam de colocar like!

Anúncios

Nada.

Julho 29, 2017 § Deixe um comentário

Se ao menos conseguisse concentrar-me na leve brisa que, timidamente, passa por mim. Se ao menos conseguisse absorver por completo a vista desafogada que tenho perante mim. Se ao menos conseguisse fechar os olhos ao som dos pássaros que cantam alegremente. Se ao menos conseguisse interromper, nem que fosse, por um segundo, o trânsito dos meus pensamentos. Se ao menos conseguisse reduzir tudo a nada, a este momento, efémero e irreversível, ao mesmo tempo, inteiro e genuíno. Se ao menos conseguisse voltar a mim, ao que era e ainda sou, mas camuflada debaixo do ruído da vida. Se ao menos conseguir respirar fundo e voltar a emergir revigorada…

 

#music box#

Outubro 25, 2016 § Deixe um comentário

a um (com)passo de ti, finjo uma (semi) colcheia de distância, até que num frenesim, me soltas da tua pauta, cansado dos meus acordes…

 

[Nouvelle vague, dance we me]

#after you#

Setembro 23, 2016 § Deixe um comentário

“i obviously do everything to be ‘hard to understand’ myself”

F. Nietzsche

pode ser apenas uma leve aspiração. pode até ser uma pré-obsessão. pode causar estranhos sintomas, quiçá no coração. mas nunca irá ser, nem por sombras, algo a rasurar, por falta de compreensão.

escrever é afinal uma cura, um antídoto para a vida, que não tenho dúvidas de tratar-se de um veneno. escrever é uma catarse, um mergulho consciente, em algo maior que o físico, que transcende o limite dos nossos dias, é algo maior que os outros, que teimam em não perceber, que escrever não é uma escolha, é uma necessidade de expulsar o que nos corre nas veias, o que nos faz ser quem somos. discípulos do que nos corrói, fugitivos do que nos cinge, aspirantes do amanhã.

escrever é sonhar, afinal. e isso ninguém me vai tirar.

#believe#

Janeiro 8, 2016 § Deixe um comentário

Acreditar. Em quê? Em quem? Porquê? Devemos acreditar? Incondicionalmente? Sempre? Nunca? Porque necessitamos de acreditar em alguma coisa, em alguém? Porque mantemos sempre a esperança de que estamos errados, que não é possível o mundo ser repleto de tanta revolta, tanto cinismo, tanta dissimulação! Porque abdicamos de nós para (voltar a) confiar nos outros? Porque permitimos que nos derrubem sem que nada façamos? Será que ainda há lugar no mundo para pessoas honestas, íntegras, reais, humanas? Haverá ainda lugar para amizades, conversas sinceras, palavras sentidas, emoções verdadeiras? (Apesar de tudo ainda ) quero acreditar nisso… Senão como classificaria o mundo onde vivo no dicionário?

#reset#

Julho 19, 2015 § 1 Comentário

costas viradas. um fio de amuo entre nós.

palavras divergentes, que ferem.

uma dor que corrói a alma, em segundos.

a incerteza de um futuro a dois.

o direito de partir, a vontade soberana

de ficar.

porque afinal o que vem, faz-me sorrir.

vem, vem comigo descobrir o que

diz o meu coração.

faz-me sentir que vale a pena,

deixa-me voar nos teus braços,

deixa-me acreditar que o amor é

algodão doce e fantasia.

#more than ordinary#

Junho 2, 2015 § Deixe um comentário

ser maior. é esticar os pés para alcançar um sonho. é enrolar o corpo em concha para nos sentirmos seguros. é abrir a mão de olhos fechados em troca de um doce. é abrir os olhos de espanto quando nos pregam um susto. é andar pé ante pé até descobrir uma surpresa. é erguer os braços para sentir o vento. é dobrar um papel, escrito, com um segredo. é sussurar ao ouvido, aquilo que de tão belo e frágil que é, se pode quebrar ao falar. ser maior. é ser mais do que o dia e que a noite. é ser mais que o que há para fazer. é ser maior que a preguiça. que o medo. que o vazio. que o cansaço. ser maior. é abanar a vida como a gelatina.

  • Virginia Woolf

  • José Saramago

  • Florbela Espanca

  • Haruki Murakami

  • Fernando Pessoa